segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

panetone!


Quase todo brasileiro gosta de panetone. Todo ano, estão lá aqueles milhares de panetones abarrotando as prateleiras dos mercados, dos melhores aos piores, com aqueles recheios bizarros.

Panetone também deve ser um dos presentes mais "dados" pelas pessoas nessa época de final de ano. O porteiro do prédio ganha, aquele cara que cuidou do jardim ganha, a faxineira que trabalha em cinco casas diferentes ganha cinco panetones, o chefe pão duro distribui panetones para os seus funcionários. Acho que até as pessoas que trabalham em fábricas de panetones devem ganhar... panetone!


E numa tarde, há algum tempo atrás, surgiu um papo no twitter sobre o tão querido pãozinho doce com frutas. Foi aí que surgiu a idéia de fazer uma postagem coletiva sobre panetone, onde cada foodblogger que quisesse participar, testaria uma receita, relatando sua experiência em prepará-la. Além de mim, entraram na brincadeira os blogs a cozinha coletivaprato fundo e think food. Outros também quiseram entrar, mas por um motivo ou por outro, acabaram não fazendo a postagem.


Eu decidi testar três receitas de panetone, sendo que das três, a que eu mais gostei foi a última e que por acaso era a mais fácil e rápida de todas. Então vamos lá:

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Receita #1
A receita que eu escolhi para testar inicialmente, é uma do chef boulanger Roberto Strongoli, que saiu na revista Gula de nov/2005. Eu a escolhi, pelo simples fato de ter tentado prepara-lá em 2005 e ter resultado quase que um completo desastre. Então esta seria a minha chance de vingança. Mwahaha.

A receita pede uma biga* com 40% de hidratação, onde hidratação é a quantidade de água que você vai misturar com a farinha. Por exemplo, se eu quero uma biga com 50% hidratação, então eu usaria 100g de farinha de trigo e 50g de água. Mas 40% de hidratação achei pouco demais, e nunca tinha trabalhado com biga mais pesada (da primeira vez que fiz, não lembro da concistência da biga, mas lembro que não esperei as 36hs de fermetação, acho que prossegui com a receita depois de 24hs). Então, depois de uma troca de e-mails com a Kate Good, instrutora do SFBI, ajustei a quantidade de farinha, água e fermento, totalizando uma biga com hidratação de 45%.

Fiz minha biga e ela ficou lá bonitinha em cima da bancada, esperando pelas 36hs de crescimento que a receita pedia. Perto de acabar as 36hs, meu gato, que estava em cima da geladeira, pulou na bancada e derrubou minha tigela com a biga no chão. Depois de ver minha biga estatelada no chão da cozinha e com uma quantidade grande de pêlos de gato grudados nela, obviamente a joguei fora, enquanto usava todos os palavrões do meu vocabulário, e comecei outra sem seguida, mas dessa vez deixando-a segura pelas próximas 36hs na adega de vinhos, a 18ºC.

Passadas as 36hs, a biga estava mais macia e úmida, tinha crescido, mas ainda assim estava firme a ponto de eu ter que jogá-la em pedacinhos, para incorporá-la na massa final do panetone. Mas isso não foi problema. O problema é que a massa era MUITO mole. Mas assim, mole tipo massa de bolo mole. E eu ia colocando mais e mais farinha. E mais e mais. E o máximo que consegui foi uma massa de bolo menos mole, pois se eu continuasse a colocar farinha até a massa ficar apenas grudenta, eu teria que usar mais meio pacote de farinha. 

Prossegui com a massa mole assim mesmo, e depois da massa ir ao forno, ela não cresceu como deveria. O sabor ficou muito bom, mas não ficou com a textura característica do panetone, ficou mais com cara de bolo mesmo. E se eu usasse o tanto de farinha necessário para torná-la moldável, ainda que grudenta, isso influenciaria totalmente no sabor. E talvez tenha sido isso que aconteceu lá em 2005, pois apesar de não me recordar totalmente da textura da massa, lembro que consegui bolear a massa antes de colocá-la nas formas de papel e lembro que o panetone ficou meio sem gosto.

Resultado final: fail. Deve ser mais uma daquelas receitas de revista, onde as quantidades parecem ser toalmente erradas de propósito, só pra gente não conseguir reproduzir em casa.

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Receita #2
Para a receita #2, eu escolhi a que o Rogério Shimura ensinou a fazer no programa da Ana Maria (é sim, no programa da Ana Maria). A receita é mais demorada, são 3 dias de preparo. Eu já tinha feito essa receita em 2007, quando ele apareceu no programa e o resultado é muito satisfastório. A massa fica com a textura característica do panetone, só que um pouco mais, apesar de bem úmida. É doce na medida certa e com bastante frutas, do jeito que eu gosto. Refiz a receita, com algumas pequenas alterações e gostei do resultado final. Apesar da receita estar razoavelmente bem explicada, quem tem pouca experiência com pães pode encontrar dificuldade em prepará-la. Se quiser testá-la, você pode encontrá-la aqui.

A foto abaixo é do panetone do Shimura, que eu fiz enchendo a forma com menos de 500g de massa (o restante de massa, depois de porcionar três bolas com aproximadamente 550g cada) e trocando as frutas pro chocolate amargo e casca de laranja cristalizada e usando o glacê que está logo ali embaixo.


Resultado final: Muito bom. O único porém é a demora e a talvez a dificuldade para iniciantes em panificação.

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Receita #3
Foi a que eu mais gostei no final das contas. Tanto pelo sabor/textura, como pela praticidade em prepará-la. E são as fotos dessa receita que eu escolhi para ilustrar o post. 

Resultado final: ficou com a característica de sabor, textura e umidade do panetone, mas com a vantagem de ter um preparo mais rápido.

Panetone com esponja
adaptado daqui
rendimento: 3 panetones de aproximadamente 550g cada

INGREDIENTES:

esponja:
320g de farinha de trigo
190g de água
55g de açúcar
6g de fermento biológico seco instantâneo

massa final:
240g de farinha de trigo
50g de água
88g de gemas (usei exatamente 5 gemas)
2.5g de fermento biológico seco instantâneo
5g de sal
110g de açúcar
10g de extrato de malte** (se não tiver o extrato de malte, aumente a quantidade de açúcar para 120g)
10g de leite em pó
110g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 colher de chá de água de flor de laranjeira
meia fava de baunilha (usei porque tinha sobrando, mas pode substituir por 1 colher de chá de extrato de baunilha)
160g de frutas cristalizadas
130g de passas pretas
40g de casca de laranja cristalizada
raspas finas de uma laranja e de um limão siciliano

3 cubinhos de manteiga gelada (de 5-10g cada)
varetas de pipa ou palitos de churrasco
3 formas de papel próprias para panetone (nessa época do ano, você consegue encontrar facilmente em lojas que vendem produtos para festas/confeitaria)
manteiga em temperatura ambiente para pincelar as formas

glacê (opcional)
adaptado daqui

60g de açúcar de confeiteiro
6g de farinha de amêndoas
8g de óleo de milho
8g de fubá
5g de cacau em pó
30g de clara

PREPARO:

esponja:
Misture todos os ingredientes na mão ou na batedeira, usando o gancho para massas, apenas até formar uma bola. Transfira a massa pra uma tigela grande, cubra com um pano e deixe fermentar por 2hs em temperatura ambiente. (Deixei dentro do forno desligado, com a luz interna dele acesa)


massa final:
Na tigela da batedeira, coloque a esponja, a farinha, a água, o sal, o açúcar, o fermento, as gemas, o extrato de malte, o leite em pó, as raspas de limão e laranja, as sementinhas da baunilha (ou o extrato) e a água de flor de laranjeira. Bate em velocidade média, por 3 minutos aproximadamente. Coloque na velocidade baixa, e vá acrescentando a manteiga aos poucos. Continue sovando a massa em velocidade baixa, de 8 a 10 minutos.


Acrescente as frutas e continue batendo apenas até ficarem distribuídas igualmente na massa.

Cubra a tigela com um pano e deixe a massa descansar por 10 minutos.

Passados os 10 minutos, divida a massa em 3 partes iguais, forme uma bola levemente e deixe descansar por 30 minutos, coberta com um pano.

Enquanto a massa descansa, pincele levemente as formas de panetone com manteiga e em seguida insira os palitos de churrasco ou varetas de pipa. Como eu já tinha usado todo o meu estoque de palitos nas duas receitas anteriores, usei palitos menores de churrasco e coloquei dois de cada lado. Até que deu pra usar, mas ficou pouco resistente, é melhor mesmo usar daqueles palitos para churrasco maiores.

Passados os 30 minutos, forme uma bola mais firme e coloque na forma já preparada. Coloque as formas  de papel em cima de uma assadeira retangular, e cubra com um pano.


Deixe a massa crescer em temperatura ambiente e com umidade. Para isso, coloque as formas dentro do forno desligado, novamente com a luz interna acesa. Coloque junto uma tigela com água quente. (Você pode usar este processo para outras receitas de pães que são fermentados em ambientes úmidos)


Quando a massa crescer até a o topo da forma, retire do forno e pré-aqueça à 180ºC. Faça levemente um corte em x na superfície da massa usando uma gilete ou a ponta de uma faca muito afiada. Coloque o cubinho de manteiga gelada no centro do corte. Se optar por usar o glacê, misture todos os ingredientes e pincele toda a superfície do panetone com ele.

Leve os panetones ao forno e asse-os até o topo ficar bem dourado. Se começar a escurecer demais e o panetone ainda não estiver totalmente assado, reduza a temperatura para 160ºC. Se você tiver um termômetro de carne (tipo esse aqui) a temperatura interna da massa deve ser de 85ºC.

Assim que retirar os panetones do forno, verta-os imediatamente de ponta cabeça usando duas cadeiras como apoio. Deixe-os pendurados por no mínimo 4hs antes de servir.


Considerações finais:
- O panetone pode ser um pouco difícil para iniciantes, por ser uma massa pesada e grudenta. Mas persista, porque vale muito a pena!
- Na receita #3, pendurar o panetone de cabeça para baixo fez toda a diferença. Deixei um esfriar em cima de uma gradinha apenas e ele deu uma afundada considerável, enquanto os que deixei pendurados, ficaram mais altos e consequentemente mais macios. 
- Se você quer fazer a receita, mas não gosta dos "negocinhos", omita as frutas secas e faça um Pan D'Oro.

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*biga: Biga é um termo geral, que significa pré-fermento. Geralmente, a biga é um pré-fermento mais firme, com aproximadamente 50-55% de hidratação e de 0.8% à 1% de fermento biológico. O tempo de fermentação da biga varia de acordo com a quantidade de fermento usada. A biga contribui para um pão com um sabor mais complexo, uma textura mais aberta, com mais furos e aumenta a durabilidade do pão (shelflife)

**extrato de malte: o extrato é obtido através da fermentação da cevada, e na panificação, contribui com sabor, textura, coloração, além de aumentar sua durabilidade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

o bolo de chocolate de uma tarde de quarta-feira


Eu sei que eu estou devendo uma receita de panetone aqui no blog (e tá quase lá, só falta testar mais uma receita e pronto!), mas eu tive que vir aqui compartilhar essa receita de bolo de chocolate.

Estava lá eu, irritada e sem paciência numa terça-feira chuvosa. Eu tinha planos de ignorar completamente minha irritabilidade e ir pra cozinha preparar macarons. Mas um filho todo empelotado por causa de uma reação alérgica mudou meus planos, e em vez de macarons, tivemos uma tarde inteirinha no hospital.

Depois de medicado, ele ainda teve que ficar um tempo no hospital em observação. E foi nessa hora que eu esqueci dos macarons, e foi me dando uma vontade enorme de bolo de chocolate. E não podia ser qualquer bolo de chocolate. Tinha que ser o bolo de chocolate que a minha imaginação estava comendo.

Quando chegamos em casa, até comecei a procurar alguma receita nos livros, mas como eu tinha algumas outras coisas pra fazer, deixei o bolo de lado, até que acabei indo dormir, sem bolo mesmo.


No dia seguinte, a vontade do bolo da minha imaginação só tinha aumentado, e eu fui lá procurar alguma receita. Procurei em alguns livros, mas nenhum tinha o bolo da minha imaginação. Até que resolvi pedir ajuda pra Alice Medrich, porque eu sabia que ela teria alguma coisa. Dito e feito. Fui ao índice procurar e lá estava a receita piscando pra mim: "a light chocolate pound". Quando eu li esse nome, eu sabia que esse era o bolo da minha imaginação. E tive certeza absoluta quando li a receita.

Fui lá pra cozinha fazer o bolo, ainda antes do almoço. A massa era digna de apresentadora de programa de culinária falar "noooossa, mas que massa linda" e o cheiro de chocolate era incrível. Depois de frio, cortei uma fatia para experimentar, ainda antes do almoço. Era EXATAMENTE o bolo da minha imaginação. Sem mais nem menos.

Então, se você também estiver com vontade de comer um bolo de chocolate nessa tarde de chuva, faça essa receita. Garanto que vai ser o bolo de chocolate que você vai querer comer em todas as próximas tardes chuvosas que ainda virão.

Bolo de chocolate para tardes chuvosas (a ligth chocolate pound)
daqui

INGREDIENTES:
230g de açúcar
140g de farinha de trigo
45g de cacau em pó
3/8 de colher de chá de bicarbonato de sódio
1/4 de colher de chá de sal
50g de manteiga em temperatura ambiente
1 ovo grande, gelado
2 claras grandes, geladas
1 e 1/4 colher de chá de café instantâneo
1 colher de chá de extrato de baunilha
125ml de leite integral gelado

PREPARO:
Pé-aqueça o forno à 180oC. Unte uma forma redonda com buraco no meio, com 23cm e reserve.

Na tigela da batedeira, junte o açúcar, o cacau, a farinha, o bicarbonato e o sal e misture os ingredientes secos com um fuet. Adicione o ovo, as claras e a manteiga. Ajuste um timer para 2 minutos e começe a bater, usando a pá da batedeira, em velocidade média. Quando os ingredientes começarem a ficar úmidos, mas não totalmente, aumente até a velocidade máxima e bata até terminar os 2 minutos.

Junte o leite, o extrato de baunilha e o café instantâneo na massa e misture com a mão, só para agregar os ingredientes. Bata em velocidade máxima por exatamente mais 2 minutos. Coloque a massa na assadeira,  espalhando uniformemente e leve ao forno pré-aquecido. Asse até que um palito de madeira inserido no centro do bolo saia limpo, aproximadamente 35/40 minutos. Tome cuidado para não assar demais.

Retire o bolo do forno, e coloque diretamente sob uma grade para esfriar, por 10 minutos. Depois, desenforme o bolo sob a grade e espere esfriar completamente. Polvilhe com açúcar de confeiteiro na hora de servir, se desejar.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

lamingtons


Lamingtons nada mais são do que quadradinhos de pão-de-ló, passados em uma calda de chocolate e cobertos com coco ralado. A sua origem é australiana, onde são muito famosos,  e inclusive tem um dia só deles: dia 21.07 é dia nacional do lamigton lá na Austrália!

O preparo é bem simples: faça um pão-de-ló no dia anterior, deixe-o esfriando numa gradinha por algumas horas, ou até de um dia para outro, em aberto mesmo, pra ele poder dar uma secada. Em seguida é só cortar em cubinhos, mergulhá-los na caldinha de chocolate e cobrir com coco. E foi justamente o que eu fiz.

Mas quando eu estava aos 45 minutos do segundo tempo, ou melhor, quando faltava apenas um quadradinho de bolo sobrando, me veio na cabeça um pacote de coco queimado que estava dando sopa na despensa.

Fui lá, abri o pacotinho, passei o quadradinho no coco queimado. E ele ficou lá, aquele único cubinho coberto com coco marronzinho, no meio de tantos cubinhos cubinhos brancos. Mas esse único cubinho diferente, foi o mais gostoso de todos. Desculpe-me australianos, mas lamingtons com coco queimado são muito mais gostosos!

Lamingtons

INGREDIENTES:
massa
130g de farinha de trigo
30g de amido de milho
1/4 de colher de chá de fermento em pó
1/4 de colher de chá de sal
4 ovos
150g de açúcar de confeiteiro
1 colher de chá de extrato de baunilha
50g de manteiga derretida

calda
300g de chocolate picado (usei 72%)
185ml de leite (ou um pouco mais, se precisar)
açúcar de confeiteiro à gosto

80g de coco ralado ou em flocos (ou até mesmo o coco queimado)


PREPARO:
Unte manteiga uma assadeira de 20cm, polvilhe com farinha e reserve. Peneire a farinha de trigo junto com o amido de milho, o fermento e o sal, e reserve.

Na tigela da batedeira, coloque os ovos e o açúcar. Leve a tigela ao banho maria, tomando cuidado pra não encostar a bundinha da tigela na água. Aqueça a mistura até 40oC, mexendo sempre. Assim que atingir a temperatura, bata a mistura na batedeira, em velocidade alta, até ficar um creme branco e espesso. Adicione o extrato de baunilha.

Adicione a mistura de farinha em 3 etapas, mexendo delicadamente, em movimentos circulares. Assim que a farinha estiver agregada, pegue uma concha da massa, e misture com a manteiga derretida, até ficar homogêneo.

Coloque essa mistura de manteiga e massa no restante da massa, misture delicadamente e coloque a massa na assadeira, nivelando com o auxílio de uma colher ou de uma espátula. Leve ao forno pré-aquecido em 180oC, e asse até o topo do bolo estiver levemente dourado e firme ao toque.

Retire do forno e coloque a assadeira em cima de uma gradinha. Quando o bolo esfriar, desenforme-o e deixe-o descoberto por algumas horas, ou de um dia para o outro.

Para a calda, leve o chocolate picado, o leite e o açúcar de confeiteiro numa panela em fogo bem baixinho. Assim que o chocolate começar a derreter, desligue o fogo e mexa bem a mistura até o chocolate derreter e a mistura ficar homogênea. Se for preciso, adicione um pouco mais de leite. Espere esfriar e engrossar um pouco.

Corte o bolo em 16 cubinhos. Banhe cada cubinho na calda de chocolate e espere uns 15 minutos mais ou menos, para a calda secar um pouco. Passe os cubinhos no coco ralado e sirva.

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